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Cozinhar em Panelas de Alumínio
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Não é conhecida necessidade fisiológica de alumínio para seres humanos, até os dias de hoje. Dessa forma, a ingestão de alumínio é desnecessária e por características físico-químicas, como tamanho atômico e número de oxidação, pode interferir na correta absorção de magnésio, cálcio e ferro, espécies essenciais para a saúde humana. Então, cozinhar em panelas de alumínio é um problema?
É possível encontrar muita informação sobre o assunto, na Internet, no entanto, há aqueles que defendem o uso sem restrição e há também os que indicam a substituição de tais utensílios. É verdade que o simples contato de um alimento, um suco ou um refrigerante com um recipiente de alumínio não provoca a liberação de átomos ou íons metálicos da superfície de contato. No entanto, é de conhecimento geral (pelo menos para os que estudaram química) que o alumínio apresenta a tendência em reagir com determinadas substâncias e em determinadas condições, assim como muitos outros metais, através de reações de eletroquímica.
A panela de alumínio, no caso de ser utilizada para preparar alimentos que contenham sal, vinagre ou suco de limão, em alta temperatura (normalmente, entre 95 e 120°C) por longo período de tempo, apresentará a tendência em liberar certa quantidade de alumínio, pois a superfície de contato da panela irá reagir com o meio bastante agressivo para metais. Em casos em que a panela de alumínio é utilizada por longos períodos, em condições extremas, com altas temperaturas e elevadas concentrações de sais e ácidos, pode ser possível visualizar áreas de corrosão no fundo da panela. E esse alumínio que sai da panela está indo para onde? Provavelmente, ele está se misturando ao alimento que iremos ingerir.
Em um estudo realizado na USP, na Escola de Engenharia de São Carlos, o simples ato de ferver água com sal (10 gramas por 4 L de água) em uma panela de alumínio, por 3 horas, possibilitou a liberação de 80 mg de alumínio, quantidade 5,5 vezes maior do que a admissível para ingestão humana diária.
O organismo humano, por não necessitar de alumínio, tende a liberá-lo, principalmente, através da urina. Mas caso a pessoa apresente problemas específicos renais ou intestinais, há a possibilidade de acúmulo indesejado de alumínio, que pode provocar síndrome neurológica, doença óssea induzida por alumínio, miopatia e anemia. É claro que esses problemas associados ao acúmulo de alumínio é para um grupo específico da população, ou seja, uma exceção.
Diante do exposto até aqui, pode-se realizar as perguntas: essa é a melhor aplicação para o alumínio? panelas de alumínio são as melhores para preparar alimentos em aquecimento? Para mim, a melhor opção é aquela que melhor se encaixa no orçamento de cada um, mas na possibilidade de ter utensílios de aço inox ou vidro, eu optaria por usar aço inox e vidro, já que aço inox e vidro possuem maior resistência ao ataque de soluções salinas ou ácidas, quando comparado ao alumínio. No entanto, as panelas de vidro apresentam menor resistência mecânica quando comparadas às de metais.
Caso você deseje ver mais notícias sobre esse dilema, acesse:
http://www.sc.usp.br/pop_integral.php?id=1556&origem=materias
http://www.dm.com.br/cidades/2014/09/o-mito-da-panela-de-aluminio-2.html
http://www.bibliomed.com.br/bibliomed/bmbooks/nefrolog/livro1/cap/cap31.htm
Escrito por: Miguel A. Medeiros
Publicado em: 13 de julho de 2015


