Papel – como é feito?

Escrito por: Miguel A. Medeiros
Publicado em: 27 de julho de 2015

O papel como conhecemos foi criação dos chineses, por volta de 100 a.C., mas essa tecnologia foi mantida em segredo, entre os chineses, por pelo menos 500 anos. No século VIII d.C. é que a tecnologia começou a se espalhar pelo mundo. No entanto, apenas no século XIII é que o papel chegou na Europa, substituindo lentamente os pergaminhos. O processo de produção do papel era lento e caro, fazendo com que apenas parte da população tivesse acesso a esse novo material. E foi apenas no início do século XIX que o papel começou a se popularizar, quando foram construídas as primeiras máquinas que fabricavam folhas longas de papel. O processo de produção do papel não parou de evoluir, mas até os dias de hoje, o mesmo princípio proposto pelos chineses é usado, embora a matéria prima tenha mudado ao longo dos anos (inicialmente eram usadas fibras de algodão, mas no século XIX é que fibras de madeira se popularizaram como matéria prima para o papel).

Nos dias de hoje, o papel é feito principalmente da fibra do eucalipto. O eucalipto é utilizado por ter crescimento rápido e se adaptar à diversas condições climáticas, podendo ser plantado em quase todo o território brasileiro. No entanto, apenas parte da árvore é utilizada no processo de obtenção do papel, o tronco que é descascado e fragmentado em pedaços, denominados cavacos.

Os cavacos de madeira são então cozidos em uma solução aquosa de soda cáustica (hidróxido de sódio – NaOH), sulfato de sódio (Na2SO4) e/ou sulfeto de sódio (Na2S), em temperaturas próximas à 150°C. Esse processo se chama Kraft. O objetivo geral desse processo é separar quimicamente a celulose (~50% da massa da madeira) das outras substâncias presentes na madeira, tais como a lignina (responsável pela tonalidade amarela/marrom da madeira, união entre células e também por parte da rigidez da madeira, presente entre 15 e 35% em massa), resinas e minerais. No entanto, após o cozimento é obtido uma pasta escura, denominada celulose não branqueada.

Em etapa posterior, ocorre a depuração, na qual impurezas sólidas são separadas da mistura, tais como cavacos de madeira que não dissolveram na mistura. Na sequência, ocorre a separação da lignina, na forma de lignosulfonatos, que são bastante solúveis em água. E como etapa final do tratamento da polpa de celulose, há o branqueamento, que nada mais é do que a limpeza da polpa através de métodos físicos e também através de reações químicas, para provocar o branqueamento total de substâncias coloridas ainda presentes. Na sequência, a polpa de papel é prensada na forma e espessura do papel desejado e submetida à secagem. Após essas etapas, o papel é direcionado para corte e embalagem, podendo ser comercializado.

Para saber mais, acesse:

http://www.madeira.ufpr.br/disciplinasklock/quimicadamadeira/lignina20132.pdf

http://www.crq4.org.br/sms/files/file/dc417.pdf

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