Radiação Nuclear
Escrito
por: Miguel A. Medeiros
Publicado
em: 23 de maio de 2004
Radiação nuclear é um tipo de radiação originada no
núcleo de determinados átomos de elementos químicos que não estão estáveis.
As radiações nucleares podem ser de vários tipos,
mas, principalmente: partículas alfa (a), partículas beta
(b) e radiação gama (g).
Partículas alfa (a)
Núcleos
atômicos instáveis, geralmente, de elevada massa atômica, emitem radiação
alfa, que é constituída por dois prótons e dois nêutrons. Esta é a
forma “mais rápida” de procurar a estabilidade, pois cada partícula alfa tem
número de massa igual a 4. Sendo assim, a cada
partícula alfa emitida por um núcleo instável, a sua massa diminui de 4 unidades.
Estas partículas liberadas
possuem alta energia cinética, ou seja, alta “energia de movimento”, pois o
núcleo, além de liberar os prótons e nêutrons, também libera energia, na
forma de energia cinética das partículas. No entanto, essas partículas
possuem baixo poder de penetração.
Partículas beta (b-,b+)
Uma outra
forma de um núcleo atômico se estabilizar é quando existe um número bem maior
de nêutrons do que de prótons. Nesse caso poderá ocorrer a transformação de
um nêutron em um próton. Para esta transformação ocorrer, e a quantidade de
prótons aumentar em relação à de nêutrons, é
necessário que ocorra a liberação de um elétron pelo núcleo atômico. Ou seja,
o núcleo atômico irá emitir, liberar, um “elétron”,
ou melhor, uma sub-partícula carregada
negativamente, também conhecida como partícula beta, ou beta menos, b-.
É importante que a atenção seja voltada para o
fato do “elétron” (partícula b-) ser emitido pelo núcleo atômico, ou seja,
não tem nada a ver com os elétrons da eletrosfera.
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Por outro lado, quando o número de nêutrons for
insuficiente para estabilizar a quantidade de prótons presentes no núcleo
atômico, poderá ocorrer a transformação de um próton em um nêutron. Para esta
transformação ocorrer, será necessária a liberação de uma sub-partícula positiva do núcleo atômico. Será
emitida uma partícula beta positiva, b+, também, conhecida, como pósitron.
As partículas beta possuem alta energia cinética e poder de penetração
superior ao das partículas alfa. O seu poder de penetração superior é devido
ao fato da partícula possuir massa muito inferior à da partícula alfa. Mesmo
que a partícula beta, possua carga (carga negativa,
ou positiva), ela irá ter maior penetração, pois é mais leve e terá menor
perda de energia. Entretanto, a sua penetração não será, ainda, muito alta. O
seu poder de ionização também será considerável, no entanto, menor que o das
partículas alfa, visto que a quantidade de cargas das partículas beta é
inferior ao das partículas alfa.
Radiação gama (g)
De
uma forma geral, a radiação gama é emitida por um núcleo atômico, quando este
emite outros tipos de radiação, seja ela alfa ou beta. A liberação de
radiação gama é uma forma encontrada pelo núcleo para se “estabilizar” quando
ocorre a liberação de alguma partícula nuclear, pois com esta emissão de
partícula ainda resta energia em excesso no núcleo atômico, que deve ser
liberada (transformação de massa em energia, segundo a equação: E = mc2).
A forma encontrada pelo núcleo para liberar esta energia é a partir de
radiação gama, que é uma forma de energia eletromagnética.
A radiação gama, por ser uma onda
eletromagnética, da mesma natureza da luz. Ela viaja com a velocidade
da luz, ou seja, a radiação gama, viaja a 300.000 km/s, assim como a luz.
Esta radiação é altamente penetrante, ou seja, o seu
poder de penetração é muito elevado, pois ela não possui massa. Isso acontece
por ela não ser partícula, mas sim onda, além do fato dela não possuir carga
elétrica nem positiva, nem negativa.
O poder de ionização desta radiação pode ser
inferior ao das partículas beta e alfa. Isso irá depender do
quão energética é a radiação gama. Por sua vez, o dano causado pela
radiação gama pode, muitas vezes, ser bem maior do que os causados pelas
radiações de partículas, pois, como dito, ela pode possui alta energia, o que
lhe confere alto poder de ionização. Isso é devido ao fato das moléculas e
átomos possuírem elétrons, os quais podem ser retirados. No entanto, para
serem retirados é necessária uma quantidade de energia tal (energia
quantizada) que possibilite a ionização do composto (átomo ou molécula). E é
aí que a radiação gama pode agir, ou seja, ela irá quebrar a molécula, pois
ela retirará os elétrons da ligação química. Logo, a sua capacidade de
provocar danos é maior.
É
importante que seja observado que a radiação gama é neutra, mas não tem
relação alguma com os nêutrons, que também são neutros, ou seja, radiação
gama não é nêutron. Mesmo porque, quando um núcleo atômico emite nêutrons,
esta radiação (de partículas) é denominada de feixe de nêutrons.
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*O texto e as
figuras desta página foram produzidos por Miguel A. Medeiros. A reprodução
destes, merece autorização ou referência ao autor.
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